Raio Verde

Julho 02 2011

E há mais ondas que surfistas.

Este senhor, sempre me pareceu, pois nunca tive certezas de nada, que tinha sido "emboscado".

 

Este caso poderá servir de lição para os que se apressaram a crucificá-lo, nomeadamente alguma direita portuguesa. Também mais apressada em exaltar os benefícios da Justiça(muito justa) Americana,  e em criticar os que o defendiam ou punham dúvidas nesta história efectivamente mal contada, do que em saber(i.e., esperar) se o Homem era inocente ou não.

Sempre me pareceu, que, aparte uma patologia gravíssima, um homem com este poder nunca se iria meter a violar pessoas assim do nada.

Como chegou a referir João Eduardo Severino, um homem com "acesso" às mulheres mais bonitas do mundo seria muito burro ao fazê-lo.

Parece que foi, a acontecer, consensual, então. Muito bem, este homem, como os outros, faz o que bem entender com a sua vida privada.

 

Quanto ao que, de momento, me parece mais importante.

A sua eventual candidatura presidencial ao Eliseu.

Do pouco que sei do assunto, permito-me tecer aqui algumas considerações acerca do mesmo:

 

1. O ex-presidente do FMI, aquando em funções, teve uma actuação bastante moderada, direccionada numa concepção mais de desenvolvimento efectivo dos países que financiava, que de diktats estrangulatórios.
Recentemente tinha declarado: "Ainda só fizemos metade do caminho. Temos que reforçar o controlo dos mercados pelos Estados, as políticas globais devem produzir uma melhor distribuição dos rendimentos, os bancos centrais devem limitar a expansão demasiado rápida dos créditos e dos preços imobiliários Progressivamente deve existir um regresso dos mercados ao Estado".

 

2. Confere-lhe uma certa "aura" de consensualidade política  o facto de ser um homem de finanças e ex-presidente de uma instituição que ainda hoje é vista como "o diabo", como se viu à exaustão nas nossas legislativas(embora pareça que os juros do FMI são mais baixos que os da UE), mas ser do Partido Socialista Francês.

 

3. Confere-lhe uma certa credibilidade de finanças públicas, algo que a Esquerda tanto precisa neste momento. Isto é, numa Europa em mudança, nomeadamente de modelo social, nada melhor que alguém ligado a "contas bem feitas" para a Esquerda. 

 

4. A França vive momentos também delicados, e Sarkozy não é propriamente o mais popular dos líderes( não desgosto dele mas penso que Strauss Kahn poderá ser o embrião de soluções na Europa).

 

5. A Europa precisa de soluções. Dizia no outro dia António Lobo Xavier, na Quadratura do Círculo, que acredita que a solução para a Europa virá mais da Esquerda Europeia do que da Direita. Tendo a concordar com ele. As direitas estão neste momento( e bem) concentradas em ter contas em ordem, em disciplinar Estados incumpridores(e bem), e nos seus problemas nacionais(e bem). Mas há que ir mais além. Há que haver algo mais profundo, uma Solução Europeia. Federal ou não, federal mitigada ou não, não federal, ou que seja, mas tem que haver, se não "vai tudo abaixo". Não se vai lá, parece-me, sem isto. Mais ano menos ano, se não houver estas soluções europeias, a Grécia cai.

Não devo deixar de dizer que a Grécia se comporta como um bébé a quem se tira a chupeta.

 

6. O dinheiro. Tem bué da dinheiro. Muito bem. Não podia ser melhor.  

A Esquerda, defende valores de esquerda, mas respeita a liberdade individual de cada um. 

Por ser Socialista ou do Partido Socialista, não tem que se ser miserabilista ou classe média. Tem méritos que o fazem rico, seja. Poderia mudar a Esquerda para uma concepção mais moderna, isto é, não há nenhum problema em se ser rico, não há incompatibilidade entre ser de Esquerda e rico.

 

7. Marcaria a diferença em relação aos Estados Unidos. Aqui não se liga a vida privada de políticos, aparte crimes que cometam. No mais, cada um faz o que quer da sua vida. Por exemplo, eu admiro os sinais que PPC  dá neste momento tão difícil, mas também não critiquei Sócrates por ir aos pine cliffs, ou pó Quénia ou o que quer que seja. Lá está, desde que seja com o seu dinheiro tudo bem. Se não for, é que já estamos perante algo condenável, e muito.

 

8.  A importância de arranjar uma solução para a Europa, aliada à diferenciação positiva acima exposta em relação aos EUA, poderia contribuir para uma "inner force" europeia que poder-nos-ia ajudar a sair do buraco. Gosto muito dos Estados Unidos e de muitas coisa que representam, mas sou Português acima de tudo e Europeísta por convicção. Apesar de muita coisa mal, continuamos a ser um projecto que vale a pena e pelo qual vale a pena lutar.

 

9. A Europa tem que renascer das cinzas.

 

 

 

publicado por raioverde às 09:09

Julho 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15
16

20
21
22
23

24
25
26
27
29
30

31


mais sobre mim